Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

para estar ouvindo Coldplay é que não tá mole não…

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viajando sem câmera

Depois de perder duas câmeras num intervalo de 4 meses (a primeira morreu afogada em suco de melancia no Rio de Janeiro, a segunda esmagada pela retranca de um veleiro em março) achei que era melhor ficar um tempo sem câmera.

Mentira, quem achou foi minha conta bancária, mas enfim, sigo sem uma câmera digna (alô papai noel) e tenho que me contentar com o telefone. O que me fez descobrir o mundo dos aplicativos e o porquê do sucesso deles: a câmera é tão deprê que só com muito efeito você consegue achar que está registrando algo de uma maneira minimamente decente.

Mas como é o que tenho no momento, tenho me divertido tentando fazer um relatório em imagens dessa viagem à Cannes (e dá-lhe aplicativo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

anoitece no parque

As últimas vezes que fui ao Ibira, como carinhosamente é chamado o Ibirapuera entre quem mora em SP e passeia por lá, era noite.

até hoje me pergunto quem era esse maluco correndo num domingo chuvoso a noite…mas era eu também maluca, andando sozinha pelo parque aquela hora

uma linda e diferente perspectiva desse espaço da cidade. Fazia silêncio, ao contrário da costumeira algazarra do dia. Havia uma projeção marcada no Planetário onde Joakim, dj e produtor francês, apresentaria sua performance Planetarium com projeções do local…tinha de rolar escuro absoluto, então a única imagem é da sala na hora que abriu. Mas foi incrível, a apresentação, o rolê e andar no parque naquele horário.


Quase dois meses depois foi a vez de um festival de Jazz ser generoso o suficiente para trazer diversas atrações numa apresentação paga na 6afeira e gratuita no domingo a noite

Sharon Jones and The Dap-Kings salvaram meu domingo e encantaram o de muita gente. Foi uma apresentação deliciosa, mas além disso, a parte de trás do auditório Ibirapuera que se abre ao parque e permite espalhar a música a quem passa por lá é uma das melhores obras do Niemeyer. Pelo menos para mim.

A turma chegou cedo, fez piquenique e depois ficou lá, curtindo o show. Aí, fechando a incrível e dançante apresentação, tem um filme.

Aquele espaço nasceu para isso.

Para ser tela e palco de shows e projetos noturnos para quem vive nessa cidade e é tão carente de oportunidades como essa, de confraternizar com ela: Tinha lua, tinha todo tipo de gente ali, curtindo. É para querer cada vez mais esse tipo de evento no parque. Aguardo um calendário fixo de shows, filmes e outras estórias noturnas por ali.

*ps: e logo na seqüência voltei ao Ibira para a SPFW, mas aí fica para outro post…

Comer Animais

Jonathan Safran Foer escreveu “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” e levou meu coração. Daqueles livros que você termina e compra 4 exemplares para distribuir para os amigos. Sou fã da maneira como ele escreve, diagrama, pensa e apresenta suas histórias.

Quando ganhei “Comer Animais”, primeiro livro não-ficção dele, fiquei com receio do que poderia vir. Seria um libelo pró-vegetarianismo como a única maneira de salvar o mundo? Seria chato se um dos meus autores contemporâneos favoritos caisse por terra com um livro assim. Não foi o caso. No meio do livro o medo era terminá-lo e  virar vegana radical, filiada ao PETA.

Não virei vegana mas “Comer Animais” é uma daquelas peças que traz informações cotidianas impossíveis de ser ignoradas. Transforma a maneira como se vê a vida, e principalmente como você vê a comida. Faz você lembrar que o Peru é um bicho e não uma bandeja na padaria, que o Frango tem bico e penas e não vem destrinchado congelado, o porco…melhor nem entrar no porco ainda.

“Comer Animais” é uma grande pesquisa sobre a criação industrial de animais nos EUA: o surgimento, a maneira como operam hoje, como tratam os animais e como estão encaixadas na falsa engrenagem da comida barata para se manterem em funcionamento em condições tão perversas. O livro foge do discurso fácil de “pobres animais, horrendos humanos” mas as descrições sobre as condições de vida e morte de muitos bichos faz com que o leitor, por mais de uma vez, deixe o livro de lado um pouco. Alguns dados são alarmantes, como a porcentagem de perus estéreis nos EUA, que chega a 99%. Outros surpreendem mas são lógicos: trabalhadores das linhas de produção de abate de animais são naturalmente mais agressivos e “insensíveis” devido ao alto tempo exposto ao cheiro de sangue e a mecanização do processo.

“Comer Animais” propõe filosofar sobre um tema prosaico, natural (somos onívoros, certo?) e cotidiano de uma maneira única. E isso muda tudo. Não dá para se alimentar da mesma maneira antes e depois de lê-lo. Ou, como diz a avó do autor: ” Se nada importa, não há nada a salvar.”