fucking globalization

Acho que ouvi a expressão “fucking globalization” a primeira vez em 2007, quando estava trabalhando em Ibiza e um  jornalista italiano reclamava ao telefone com um amigo sobre a “fusion food” que tinhamos provado a pouco. “Fucking globalization” ele dizia para comentar o prato que tinha de tudo um pouco mas não tinha alma nenhuma. Nada contra fusion food, mas viajar ao outro lado do mundo e não conseguir encontrar no cardápio um prato local é um pouco decepcionante.

A expressão pulsa em bocas e ouvidos cada vez mais. É  o resultado do mundo sem fronteiras.

Pode ser que você esteja num boteco em Cannes e uma americana acompanhada de um holandês venha te pedir um cigarro e quando descobre que você é brasileiro diz “estou morando em Higienópolis”. Pode ser um ambulante senegalês na França, um boliviano em São Paulo, um avião árabe que sai do Brasil para te levar ao Japão.

Os horizontes se ampliaram mas as distâncias físicas continuam as mesmas. A diferença do que é consumido aqui ou ali é menor mas ampliamos a proteção quase fanática ao que seria legítimo apenas para alguns .

Tudo isso para dizer que hoje, precisando de confort food, parei no posto ao lado de casa para comprar uma porção de djou e um temaki de salmão. Nada do estrogonofe da avó, nem lembrei do bolo da tia. Pensei, sem pestanejar, em comida japonesa. Fucking Globalization

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