Pai, to na Hebe

Imagine: um recado na sua caixa postal, vc vai ouvir e ele diz “Oi Renata, aqui é a Fernanda que trabalha com a Hebe”. Desligo. Respiro. Como assim? Ouvi a primeira parte do recado por três ou quatro vezes, até tomar coragem e tirar a mensagem. Um convite para participar do programa, ao lado da comadre-de-rádio Lorena Calábria e de Rosana Hermann entrevistando Ricardo Boechat. Era “A Roda de Mulheres”.

Hebe tem 82 anos e integrou a turma que foi ao porto de Santos buscar os equipamentos que permitiriam a existência da TV Tupi. É uma das últimas instituições da telinha.

Desperta paixão ou raiva, principalmente por causa de seu posicionamento político. Virou sinônimo de programa de TV, lembro quando toda apresentadora que estreava dizia “quero ser a próxima Hebe”. Não é tão fácil assim ser Hebe. Ela é segura na condução do programa pelo TP ou no improviso, está atenta ao que acontece no palco e na coxia. De tirar o chapéu.

Ela fala o que quer, e isso num programa de TV, cada vez mais preso a formatos e pre-conceitos, é divino.  No meio do quadro com participação de Lucimara (citada na foto que abre o post) ela vira e com naturalidade pergunta “mas foi só a esperança que você abriu para ele, né?” quando a moça comentava que “abriu uma esperança”(sic) ao ter encontrado solteiro, depois de 13 anos, o pai do seu filho. Fiquei lisonjeada de ter sido chamada para a Roda de Mulheres ao lado de Lorena e Rosana para “fuzilar” (nas palavras do diretor) Ricardo Boechat.

Agora, hour-concours, foi sentar no sofá da loira: para quem, como eu, que devorava tv quando criança, além de deixar as avós felizes (são as únicas que a gente avisa nessa hora), é uma demolição das boas.