2012 para o alto e avante

Advertisements

O Amante, Marguerite Duras

Já tinha ouvido falar de “O Amante”,  o filme, quando encontrei o livro, envolto numa cinta PB com uma foto do chinês e da menina.


da autora Marguerite Duras, confesso conhecia pouco. Agora quero ler tudo. Sua escrita é tão contundente que parece  atravessar a retina do leitor e escorrer por dentro do cérebro, impregnando o corpo. Fazia tempo que um livro não me dava torpor e calafrios.

Muito de suas obras tem referências autobiográficas, assim a infância vivida na Indochina francesa é pano de fundo para essa e outras estórias.

“O Amante” traz uma adolescente de quinze anos e meio crescendo em Saigon, com chapéu e sapato de salto alto de lamê dourado, que torna-se amante de um chinês de Cholen.

Suas reflexões são o ponto alto do livro, a maneira como ela descreve sensações, pensamentos e reações das pessoas do vilarejo, de sua família e do próprio amante.

A narrativa é fragmentada, sem cronologia, misturando de fatos e pensamentos. Escrito em 1984, é um livro pequeno, de 83 páginas, que faz com que o leitor comece a economizar as páginas para a experiência durar mais.

Memorable Quotes

” Doctor Marcia Fieldstone: People who truly loved once are far more likely to love again. Sam, do you think there’s someone out there you could love as much as your wife?

Sam Baldwin: Well, Dr. Marcia Fieldstone, that’s hard to imagine.

Doctor Marcia Fieldstone: What are you going to do?

Sam Baldwin: Well, I’m gonna get out of bed every morning… breathe in and out all day long. Then, after a while I won’t have to remind myself to get out of bed every morning and breathe in and out… and, then after a while, I won’t have to think about how I had it great and perfect for a while.

Doctor Marcia Fieldstone: Tell me what was so special about your wife?

Sam Baldwin: Well, how long is your program? Well, it was a million tiny little things that, when you added them all up, they meant we were supposed to be together… and I knew it. I knew it the very first time I touched her. It was like coming home… only to no home I’d ever known… ”

Tava passando hj na tv, adorei esse diálogo de Sintonia de Amor (1993)

Para embalar

fim de ano e começa a festa de listas e mixtapes.

O Shuffle juntou um time pedindo ” as 12 melhores músicas do ano e mais uma bônus track escondida para que o leitor possa baixar as “fitinhas” e ver como foi 2011 pelo gosto de pessoas diferentes.”, os Popload Ana Bean e Lucio Ribeiro; Bruno, Cirilo e Leonardo Dias do Urbanaque; Carol Nogueira da FSP, Flavia Durante da Trip.Com, Jardel Sebba da Playboy, José Flávio Junior da Bravo, Marcelo Costa do Scream & Yell, Pablo Myazawa e Paulo Terron da Rolling Stone, Rodrigo Levino da Veja.com, Thiago Ney do Ig, além de outros (que eu não conhecia) music-addicteds.

O Soundcloud tem mixtape de fim de ano do Killer on The Dancefloor, Mixhell, Pedro Dubstrong e volume 2 de Bastard Summer

resolvi me aventurar por essa terra sem lei, ainda sambando ao colar uma música na outra, mas compensando a falta de técnica com gosto musical.

Batuque 2011: Q-Tip

Era 1999 e fomos surpreendidos com a estória que ícones e  bandas de rap que gostávamos tocariam na cidade. Afrika Bambaata, GrandMaster Flash, De La Soul, Common, Jungle Brothers, Dj Spooky, todos no recém-criado festival DuLoco. Cruzar a cidade para chegar ao Sesc Belenzinho era um rolê, incluia se perder, descobrir o ponto de encontro ideal, e ficava fácil porque a oportunidade de ver um show desses era escassa. Antes do rap ser o novo rock, darling dos festivais e da MTV, o som enchia salões nos 4 cantos da cidade, mas encontrava apenas quem ia procurar.

Corta para 2011. Dezembro entrega sempre o presente antecipado: Duloko virou Indie Hip Hop, trouxe Jurassic 5, Talib Kwelli, Hieroglyphics, Blackalicious, Mos Def, abriu espaço para Kamau, Projeto Manada, Elo da Corrente, Black Alien & Speed, Simples, Espião, Max B.O entre outros.  Ano passado a galera que idealizou e produziu os dois festivais criou Batuque, uma continuação da trajetória, como explicou por email Rodrigo “Gorila Urbano, Mamelo Sound, P-Funk” Brandão, um dos agitadores da estória toda:

“(…) O ciclo tinha se encerrado. Ainda tava no ar a necessidade de seguir em frente c/ a missão de levar música boa, c/ estrutura digna e ingressos a preços populares pra quem gosta. Aí surgiu a idéia de ampliar a gama de estilos sem excluir o rap, pois é isso q eu sou, seria impossível deixar de fora. (…) O Indie virou uma marca forte, as pessoas estavam indo por conta da tradição ao invés da música e isso vai contra a nossa  busca. Claro q a intenção é lotar o evento mas trazer quem ama o som é a prioridade. Ter o salão lotado de gente vazia é tiro no pé a longo prazo, sabe?”

Nesse 11 de dezembro, o destino foi o Sesc Santo André ( mais fácil que o Belenzinho, acredite). No palco Q-Tip, a voz anasalada que marcou os tímpanos de quem sacudiu com A Tribe Called Quest. Com a proposta de espectro sonoro ampliada, a primeira noite teve Gui Amabis e seu lindo “Memórias Luso/Africanas”, seguido de Criolo, e Prince Paul no intervalos entre os shows. Ele também se apresentou no domingo, só que entre Bixiga 70, Don Cesão e Ogi.

Q-Tip subiu ao palco acompanhado por baixo, guitarra, bateria e toca-discos, e isso faz toda a diferença num show de rap. Além da música reverberar de outra maneira no corpo, a banda faz o alicerce para que o MC verse, cante, dê vazão ao showman que é inerente a esse tipo de intérprete, tão próprio da virada do XX-XXI. Q-TIp trouxe ao palco a bagagem que a música e a história do hip hop norte-americano carregam. Dançou, homenageou MJ, chamou moleque (fofo) para dançar no palco, fez piada, desceu para a platéia, enfim, foi o cara.

“Ele é um ícone fundamental quando o assunto é batuque digital, tanto pelo lado de pesquisador de vinil nerd (todo o tempo livre dele aqui foi passado em meio a pilhas de discos), quanto produtor e MC. É um dos caras q mais amplia as fronteiras do rap desde q apareceu, tanto nos álbuns do A Tribe quanto nas parcerias, q vão de Deee-Lite a Stevie Wonder, passando por Mark Ronson, Beastie Boys, Janet Jackson, Capleton e Speranza Spalding.” explica Rodrigo.

Quem gosta do gênero sabe que dificilmente os caras vem se apresentar com banda por aqui, porque é muito mais barato trazer combo MC+DJ do que a gangue e seus instrumentos. No retrospecto mental lembro do show do The Roots, do Mos Def na saideira do Indie, do Beastie Boys (a banda é mais rock q rap mas…), Snoop apenas agora no SWU. Aloe Blacc e Mayer Hawthorne fizeram a preza recentemente, mas assim como D’Angelo naquele distante Free Jazz, são discípulos do R&B, inexistente sem banda. Do time da casa, Criolo é um dos poucos que sobe ao palco acompanhado por músicos, e Marcelo D2 carrega a herança dos tempos de Planet, que tinha essa pegada lá atrás misturando rap e rock. Se alguém lembrar de mais shows, avise, porque a minha memória é uma porcaria. (atualização: alguém lembrou de Racionais tocando com banda. perdi esse)

Além de apresentar músicas de sua carreira solo, Q-Tip enfileirou A Tribe Called Quest: Bonita Applebum, Electric Relaxation, Scenario, e com o jogo já ganho, Can I Kick it?, Check the Rhyme. E eu, enquanto equilibrava lágrimas, agradecia pelo melhor show de 2011.

E agora, Brandão, como é que vocês vão fazer?
“Vai ser um trampo difícil manter o nível no ano q vem, de tão formoso q foi tudo: os artistas brasileiros, o clima da platéia, o set do Prince Paul, e claro, o show matador do Q-Tip!”

aguardo ansiosa o presente que vem em 2012. Longa vida ao Batuque.