III: deixei

Zizuis, será que são restos mortais da família Adams enterrados em SP que não param de chover?

 

foto: Li Hui

sim, isso é MGMT em versão Beatbox

“Deixei de ser aquele que esperava,
Isto é, deixei de ser quem nunca fui…
Entre onda e onda a onda não se cava,

E tudo, em ser conjunto, dura e flui.
A seta treme, pois que, na ampla aljava,
O presente ao futuro cria e inclui.
Se os mares erguem sua fúria brava
É que a futura paz seu rastro obstrui.

Tudo depende do que não existe.
Por isso meu ser mudo se converte
Na própria semelhança, austero e triste.

Nada me explica. Nada me pertence.
E sobre tudo a lua alheia verte
A luz que tudo dissipa e nada vence.

Fernando Pessoa

VinteDoze: é nóis na fita

Quando el compadre Alexandre Matias convidou essa que vos escreve para participar do VinteDoze, programa bacanudo que ele pilota com Ronaldo Evangelista desde os tempos do VinteDez, comichão passou pelo corpo e fui procurar um saquinho para respirar e acalmar.

Matias trabalhou na criação do Urbano, programa que apresentei durante 4 anos no Multishow, e é uma das mentes mais interessantes/interessadas dos/nos tempos de internê. Ronaldo veio através de deliciosas mixtapes que ele montava para seu Baile Veneno, e desde que acompanho os vinteetantos conheci um excelente contador de estórias.

O resultado? Abaixo:

 

A gravação foi uma delícia e tirando a parte em que o álcool sobe à cabeça e começo a misturar os assuntos, tá tudo bem. Mas, enfim, o componente etílico faz parte também.

 

 

III: venha sol, é 6afeira

trabalho da fotografa Li Hui

 

música nova e bacana: “Delusional, do Human Woman”

“June 19, 1937

Dear Cedric,

A strange thing happened to me today. I saw a big thundercloud move down over Half Dome, and it was so big and clear and brilliant that it made me see many things that were drifting around inside of me; things that related to those who are loved and those who are real friends.

For the first time I know what love is; what friends are; and what art should be.

Love is a seeking for a way of life; the way that cannot be followed alone; the resonance of all spiritual and physical things. Children are not only of flesh and blood — children may be ideas, thoughts, emotions. The person of the one who is loved is a form composed of a myriad mirrors reflecting and illuminating the powers and thoughts and the emotions that are within you, and flashing another kind of light from within. No words or deeds may encompass it.

Friendship is another form of love — more passive perhaps, but full of the transmitting and acceptance of things like thunderclouds and grass and the clean granite of reality.

Art is both love and friendship, and understanding; the desire to give. It is not charity, which is the giving of Things, it is more than kindness which is the giving of self. It is both the taking and giving of beauty, the turning out to the light the inner folds of the awareness of the spirit. It is the recreation on another plane of the realities of the world; the tragic and wonderful realities of earth and men, and of all the inter-relations of these.

I wish the thundercloud had moved up over Tahoe and let loose on you; I could wish you nothing finer.

Ansel”

(carta de Ansel Adams para seu amigo Cedric Wright )

As Canções, Eduardo Coutinho

Existe a escola de documentários que pressupõe o documentarista como um objeto em cena, sem intervir em nada, enquanto a linha de Eduardo Coutinho é aquela que não nega a existência do interlocutor entre câmera e aquele que está a frente dela.

Além de ouví-lo fazendo perguntas e  comentários, há o charme dele tossindo durante “As Canções”, seu último projeto, de 2011, ainda em cartaz nos cinemas.

18 personagens recorrem a canções para contar momentos marcantes da sua vida. Estórias de amor, de boas e más recordações, em sua maioria. Como é comum na filmografia dele, os personagens são muito bem escolhidos: Queimado, malandro que canta Jorge Ben, é um dos meus favoritos. São tantas as senhoras incríveis que não recordarei o nome, mas somente a expressão que uma delas usou: “cafetão de um real”.