A Casa das Belas Adormecidas

“Tratar com brutalidade uma garota como essa poderia despertar nele o vigor da juventude. De certa forma, Eguchi já estava um pouco entediado com a casa das “belas adormecidas”. Apesar disso, suas visitas de tornavam mais freqüentes. Tratar a garota com violência, quebrar o tabu da casa, destruir o miserável elixir dos velhotes e, dessa forma, afastar-se em definitivo desse lugar; labaredas de sangue quente impeliam Eguchi. No entanto, não havia necessidade de violência ou força. Era certo que o corpo adormecido da garota não ofereceria resistência. Certamente, seria fácil estrangulá-la e matá-la. Mas a tensão desapareceu de súbito, e Eguchi sentiu apenas um vazio sem fim ampliar-se no seu âmago. Não muito distante, ouvia-se o estrondo das grandes ondas do mar, pois não havia vento em terra. O velho imaginou a profundidade do mar sem luz em noite escura. Apoiou-se no cotovelo e aproximou o rosto da face da garota. Ela respirava pesadamente. Desistiu de beijar sua boca e deixou-se cair.”

 

 

Publicado originalmente em 1961 “A Casa das Belas Adormecidas” , de Yasunari Kawabata, traz um universo de poesia e desilusão. Nascido em 1899, Kawabata ganhou prêmio Nobel em 1968 e suicidou-se em 1972. Esse foi o primeiro livro dele que tive contato, e na primeira tentativa de leitura, empacou. Cru e suave, é preciso estar preparado para o mundo que Kawabata conta.

O romance gira em torno de uma casa onde homens velhos vão para deitar-se ao lado de mulheres adormecidas que não acordam jamais. Eguchi, nosso guia, experimenta o prazer, a clareza, a senilidade e a dificuldade impostos pelo tempo.

Sua escrita impõe verdades as vezes difíceis de se acompanhar. Eguchi envelhece mas coloca o peso do tempo nos outros.  A japonice de Kawabata é marcante e atraente: as questões de honra, o limite da sociedade hiper controlada, os desejos humanos que não acompanham o desenvolvimento de seu corpo, tudo lá de uma maneira pertinente. E a estória vai além dessa vã filosofia minha de 4 linhas.

 

Para quem está aberto a se deparar com beleza e tristeza, é um bom livro.

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