encontrei Céu

Uma pequena de cabelos cacheados e tutu de bailarina chama atenção na sala de embarque do vôo SP-NY. Linda, ela desenha e sorri. Quando reparei na mãe ao lado dela, era Céu.

Papo vai, papo vem, ela começando uma turnê bacana, 23 dias por 13 cidades nos EUA. Viajando de busão, estrada e música. “Você quer ir ao show?”

Domingo dia 10, abertura do Blue Note Jazz Festival no Highline Ballroom , casa de shows ao lado do novo parque da cidade, High Line, inaugurado em 2009 e construído em cima da linha do trem.

Curumin abriu os trabalhos naquela noite, e o fará em toda a turnê, esquentando a pista que enchia progressivamente, alguns já arriscavam até uma mexida de ombros. Dançar não é coisa de gringo.

Antes de Céu entrar no palco o lugar estava cheio de americanos, japoneses, latinos e claro, brasileiros.

Foi grande sorte assistir aqui ao show de “Caravana Sereia Bloom“, seu terceiro disco recém-lançado. Jogar fora de casa exige do time, e ela não se intimidou com isso. Ao contrário, estava à vontade no palco e no inglês, contando estórias do disco e de sua ligação com a cidade. Foi quando morou em NY que tomou coragem para começar a compor.

 

Céu convida o público a percorrer uma jornada ao ouvir o repertório do disco. Ela é dona do palco e da platéia, mas é também uma artista generosa que oferece uma tremenda experiência. Céu entrega e envolve o público em um turbilhão de voz corpo e alma, tudo misturado saindo da garganta, que hora é usada para atingir uma nota alta, hora apenas para soltar um suspiro. Aliás, que suspiro, um dos grandes momentos do show, daqueles que parecem que o tempo parou.

Quando Céu trouxe “Piel Canela”, música de Eydie Gorme & Trio Los Panchos, ela parou num momento da música e deixou a platéia estatelada, de queixo caído. Nessa hora chamou a atenção para o backing vocal a la Panchos que a banda fazia. Lucas Martins no baixo, Bruno Buarque na bateria, Dustan Gallas na guitarra e Dj Marco na MPC e nas pick ups. Lucas e Dustan, além de backing, brincam na bateria com Bruno quando voltam para o bis. Um time entrosado no palco ajuda na hora do gol.

 


O repertório do show é composto pelas músicas de “Caravana…”, acompanhadas por “Cangote”, do segundo album, “Vagarosa”, em versão demi-eletro-forró. “Malemolência”, “Ave Cruz” e “Lenda”, do primeiro disco homônimo, também aparecem de cara nova. E ao trazer ao palco “É preciso dar um jeito meu amigo”, cover de Erasmo Carlos, ela conta bonito sua estória com a música.

 

 

Acompanhar o amadurecimento da cantora Céu é um privilégio.

Ele é brasileiro como dizem, e ela, nossa.

 

Infos:

Céu

Próximas datas dela nos EUA/Upcoming concerts in USA

Highline Ballroom

Blue Note Jazz Festival

Estações

(minha amiga altamente concentrada do outro lado da linha)

Descemos a estação rindo a noite, continuando a conversa, cada uma do seu lado da linha. Comentando os fatos, concentrando pro álcool não sair. O trem dela chegou e ela foi. Eu fiquei. Ele chegou e sentou. Flores por perto. A gente se olhou separado pelos trilhos, a cumplicidade de quem vê diante de seus olhos o impossível e ri. Ele e eu, eu e ele, os mesmos fones brancos. Eu brinco com minha música nos ouvidos e pés, ele acompanha com as dele, as cabeças balançam com sorrisos que vem das orelhas, do que ecoa dentro dela, música e pensamentos.

Meu trem ameaça chegar e a gente volta a se olhar, entro no vagão. De fora, da sua plataforma, ele sorri. Encosto na porta oposta ao embarque pra garantir uma despedida, a música é boa e me acolhe. Ele olha, eu olho. Sorrio, sorri. O trem começa a se mover, nos despedimos, eu aceno cabeça, ele sinal de mão.

O túnel fica escuro.

Wines & Roses

mesinhas na calçada perfeitas para um vinho durante a tarde.

No menu: charcutaria, queijos e homus, babaganuche, patê de azeitonas. Estados Unidos tem dessa mistura de possibilidades no cardápio. Mas o restô  também serve tartar de peixe, salada e outras cositas.

pra praticar o flaneur sem compromisso

Wine And Roses – 286 Columbus Avenue