Estações

(minha amiga altamente concentrada do outro lado da linha)

Descemos a estação rindo a noite, continuando a conversa, cada uma do seu lado da linha. Comentando os fatos, concentrando pro álcool não sair. O trem dela chegou e ela foi. Eu fiquei. Ele chegou e sentou. Flores por perto. A gente se olhou separado pelos trilhos, a cumplicidade de quem vê diante de seus olhos o impossível e ri. Ele e eu, eu e ele, os mesmos fones brancos. Eu brinco com minha música nos ouvidos e pés, ele acompanha com as dele, as cabeças balançam com sorrisos que vem das orelhas, do que ecoa dentro dela, música e pensamentos.

Meu trem ameaça chegar e a gente volta a se olhar, entro no vagão. De fora, da sua plataforma, ele sorri. Encosto na porta oposta ao embarque pra garantir uma despedida, a música é boa e me acolhe. Ele olha, eu olho. Sorrio, sorri. O trem começa a se mover, nos despedimos, eu aceno cabeça, ele sinal de mão.

O túnel fica escuro.

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