da beleza e do açougue

Há muito tempo minha irmã voltou de uma temporada morando nos EUA. Como 90% das pessoas que viajam para lá, alguns cold stones, cookies and burguers depois, são alguns vários quilos a mais aqui e ali no corpo dela.

A namorada do meu pai na época sugeriu que ela conversasse com um cirurgião plástico e lá fui eu acompanhá-la.

Chegamos a consulta. Após a conversa onde ele catequiza por A mais B que não há ginástica ou dieta que resolva, que no fundo só a cirurgia salva, fomos a uma sala onde havia apenas um espelho e uma luz dicróica direcionada em cima de quem ficasse em frente a ele. Minha irmã pediu que eu fosse voluntária na experiência, então tirei a roupa e ele começou a marcar meu corpo onde poderia “corrigir imperfeições” com a cirurgia.

Tira daqui e põe ali, some barriga, sobe a bunda… sabe a gordurinha que te incomoda embaixo do braço? Fica três vezes maior e mais gritante e ele promete resolvê-la de maneira simples, tirando-a fora. Ao final da “sessão rabisco” eu parecia um tabuleiro de Batalha Naval.

Saímos e minha irmã disse “nossa, se depender dele é só puxar a pele da cabeça e fazer um escalpo e entra tudo no lugar.” Rimos muito, ela não levou a idéia a frente mas nunca esqueci a sensação de “nossa, que bosta que eu sou” quando me vi toda marcada em frente ao espelho.

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talvez por isso eu tenha curtido tanto esse trabalho que saiu no Design You Trust.

Publicado em maio, “Mask of Perfection” foi premiado pelo Prix de Photographie Paris e repercutiu até no Irã.

Acompanhando o retrato de cada modelo estava a “prescrição” da cirurgia corretiva. No caso da mulher acima:

“Patient: N.J., age 25: Botox injected into the right forehead, to correct the asymmetric eyebrows, and into the crow’s feet, to minimize wrinkles. Rhinoplasty to be performed, to straighten the dorsum of the nose, narrow it and to create a narrower, more defined, nasal tipo. Filler injected into the philtrum and left cheek, to even out depressions.”

Mask of Perfection é fruto da parceria entre o fotografo Marc Erwin Babej e a doutora Maria M. LoTempio, MD, e questiona a diferença entre a beleza natural e as imperfeições vistas pelos cirurgiões na busca por um padrão “perfeito”. Ou nas palavras dele:

“Mask of Perfection focuses on the complex and ambivalent relationship between the beauty we perceive subjectively on the one hand, and the plastic surgeon’s scientific, geometrybased standard of beauty on the other”

Patient: O.L., age 22: Botox injected into the right forehead, to correct the asymmetric brows. Rhinoplasty to be performed, to straighten out the nasal dorsum. Filler injected into the nasolabial folds, right upper lip and philtrum, to correct asymmetry and depressions.

Olhando as fotos (tem mais aqui) senti um imenso alívio pelo médico da história que vivi com minha irmã não ter rabiscado minha cara.

Patient: J.Z., age 20: Filler placed in the nasolabial folds, lips and cheeks, to even out asymmetries. Botox injected into the region between the eyes, to minimize wrinkling. Narrowing of the nose tip and smoothing of the dorsal hump to create a more feminine nose.

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Batalha de Djs: ep 4

Amanhã as 23h15 tem episódio inédito da Batalha de Djs no Multishow.

Se você que não assistiu ao último capítulo perdeu o resultado da primeira batalha, um workshop com seu Oswaldo, o primeiro dj do Brasil, a prova que decidiu quem vai duelar essa semana, os detalhes do duelo…bom, mais fácil deixar o episódio aqui para quem quiser assistir

 

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Alft4kNmpQ8]

 

o programa está cada vez mais afinado, a disputa acirrando e nós felizes com o resultado. O Maestro Billy tá detalhando os episódios lindamente. Dá para ler ele aqui. O Camilo Rocha também está se empolgando e escreveu um pouco sobre o episódio aqui.

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“Seu” Oswaldo Pereira, o primeiro dj do Brasil,  levou seus vinis para tocar. Os discos que ele tocava nos bailes, uma outra época, uma outra rotação.

Foi bem importante ver ele usando o Serato e comentando que achou fácil a interface do programa. Nós tivemos muitas reclamações nas audições, gente grande choramingando que não sabia usá-lo e a cada dia ficava mais claro que o que diferencia um bom DJ de um DJ é também a dedicação para aprender e manter-se atualizado.

 

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Foi um dos workshops que os participantes mais se emocionaram, ficaram dias falando do seu Oswaldo.

 

novo amor na música: Willis Earl Bell

Estou com as muitas abas abertas como de costume. Passo pelo Pigeons & Planes e paro nas melhores músicas da semana. A primeira é um tal de Willis Earl Bell, a música “Too Dry to Cry”

Em um segundo o mundo se quebra e sou obrigada a parar tudo para ir atrás desse nome, desse homem, dessa voz. A nota indica que esse é o segundo single de seu segundo álbum, ainda a ser lançado, “Nobody Knows”.

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Nascido em Chicago com um quê de vagabundo nato, Willis foi dispensado do exército, chegou a viver sem teto e a ser guarda-noturno entre outros bicos, até conseguir que sua música fosse ouvida.

Distribuia flyers desenhados a mão com seu telefone e endereço de email e os dizeres  “My name is Willis Earl Beal. Call me and I’ll sing you a song. Write to me and I’ll draw you a picture.” (meu nome é Willis Earl Beal, ligue-me e eu cantarei uma canção. Escreva-me e eu desenharei para você).

Em outros desenhava um auto-retrato e dizia-se a procura de uma namorada. A revista Found, feita com objetos encontrados nas ruas, achou um destes flyers, publicou na capa e ainda fez uma entrevista com ele:

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Nessa época, 2009, ele vivia na casa de sua avó e a revista ficou tão impressionada com a resposta de seus leitores à franqueza e estranheza daquela personalidade que lançou uma edição limitada de cds com algumas gravações que ele tinha feito na sua própria casa. O reconhecimento trouxe mais shows. Em 2011 assinou com a XL Records e lançou seu primeiro disco, Acousmatic Sorcery, disponível nos sites de streaming, em 2012.

A faixa Evening’s Kiss foi escolhida como single, e o vídeo é assinado por ele. 

The Book of Nobody é o tumblr que ele mantém com seus desenhos e o novo disco sai em dez de setembro. No momento ele está de viagem marcada para a Europa depois de sua primeira turnê norte-americana.

Sua música triste e doce, soul de primeira, introspectiva sem ser depressiva, como uma pequena e tímida festa, suas apresentações ao vivo são muito elogiadas e bem vivas, sua voz rouca, seu soul fazem de Willis Earl Bell meu novo amor na música.

Batalha de djs : episódios 2 e 3

semana passada me enrolei e por isso temos os episódios 2 e 3 da Batalha de Djs num mesmo post :

 

 

as batalhas foram emocionantes e finalmente temos nosso time!

 

 

Após tudo o que aconteceu no terceiro episódio (acima) apelidei nossa jornada de “Su-reality show”.  Maestro Billy fez um ótimo post explicando em que pé está nossa competição.

 

E as tradicionais fotinhos da gravação abaixo, Zegon na casa:

 

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3 anos da SaChi

Conheci Sa Chi, a pessoa, através de amigos em comum. E através dela descobri um delicado mundo que é o trabalho de alguém que curte transformar tudo manualmente. Assim ela criou a SACHI cosméticos, onde produz sabonetes, óleos, manteigas para a pele e máscaras incríveis.

A marca celebra 3 anos de vida agora e aproveitei para conversar mais com ela sobre suas produções e planos para o futuro.

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Sa Chi é filha de uma japonesa com um carioca. O casal se conheceu na Bélgica e foi lá que ela nasceu. A tradição do trabalho manual veio do nipônico lado materno: a tia avó faz cerimônias do chá, a avó era professora de ikebana e a mãe sempre pintou, fez jóias e papel artesanal. Sa Chi lembra “que ela fazia aas nossas roupas quando éramos crianças, eu e minha irmã” .

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A marca está fazendo 3 anos e começou do desejo de tentar fazer sabonete em casa, como ela conta ” era uma curiosidade que sempre tive, mas que nunca tinha tentado fazer. Era uma coisa assim bem inocente, do tipo, ah, queria saber como se faz sorvete, ou como se faz um crochê. Quando estava no Japão visitando a minha família, numa das minhas várias idas a livrarias comprei dois livros sobre produção de sabonetes artesanais e naturais. Viraram minha bíblia. Na mesma semana que voltei para o Brasil, já fui atrás de ingredientes e fiz o meu primeiro sabonete. Foi emocionante. A experiência está relatada aqui. “

Eu sou fã do sabonete de sal do himalaia. A variedade de sabonetes é incrível, por isso minha curiosidade em ela se especializar em fazer sabão. Ela diz ” Pela emoção que descrevi acima de fazer o próprio sabão, com os ingredientes que eu escolhi, com a receita que eu elaborei, com o aroma que eu compus. É mágico. Acho que essa magia transbordou e ultrapassou os limites da minha experiência de produzir e chegou até as pessoas que usam os sabonetes. A reação que elas têm é a mesma que eu tive ao experimentar no banho o primeiro sabonete que eu mesma fiz. Os elogios que eu recebo, as mensagens emocionantes, não tem preço. Como não poderia continuar produzindo depois de receber mensagens que dizem que mudou a vida da pessoa ou que só quer usar os sabonetes da SACHI pelo resto da vida? Não é impressionante, o que um simples sabonete pode fazer?”

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Agora ela tem um ponto fixo na cidade, na Alameda Lorena 1304 cj 1301. Tel: 30623790. A loja online continua firme e forte!

E o que ela está ouvindo atualmente?

A Love Supreme” de John Coltrane,

In a Silent Way” de Miles Davis,

Max Duley (os DJ sets e não as produções dele),

Osunlade,

Sussumu Yokota,

Mozart e Paganini.

ela é demais <3

Pra hoje: render-se nunca, proscrastinar jamais

num dia azedo como hoje (pelo menos pra mim) encontrei essa delícia:

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The Isolator, by Hugo Gernsback: a terrifying hood with an attached oxygen tank, for when you want to be really, really isolated. “Outside noises being eliminated, the worker can concentrate with ease upon the subject at hand.” (via weburbanist)

“Terrifying”? eu achei essa saída genial para casos de “preguiça do mundo”, “proscratinação” e afins…

DJ Marky responde

Há algumas semanas entrevistei DJ Marky para a coluna GPS que mantenho na OiFM.

Conheço Marco Antonio da Silva há mais de dez anos, da época em que ia balançar o corpo semanalmente nas noites de 5afeira no club Lov.e . É um bom contador de histórias e por isso separei alguns trechos que ficaram fora da entrevista original para postar aqui.

Além da técnica e do bom gosto musical, sempre impressionantes, Marky tem um carisma que garante um lugar no top 10 dos melhores djs do mundo em qualquer lista séria. Ele toca drum’n’bass porque ama o gênero mas é capaz de discotecar até samba-rock.

Foi com 15 ou 16 anos que participou do primeiro campeonato de djs e nunca mais parou. É comprador compulsivo de vinis e já perdeu a conta dos que tem. Ouve muita música negra americana – soul, funk, motown e james brown, jacksons, e sempre presta reverência ao dj que foi sua maior referencia,  Ricardo Guedes (“porque ele tocava muito, eu falava que precisava tocar melhor que ele”)

Já quis tocar instrumento, coisa que nunca conseguiu, e então veio o encantamento com a idéia de ser DJ. ” O lance mágico pra mim era como você colocar uma música em cima da outra sem alterar a velocidade, depois o que me fascinou era ter a percepção de que eu tinha que tocar uma música que tenha a mesma melodia que a outra sem as pessoas perceberem a passagem, a maneira como se executa a mixagem é uma coisa fascinante…”

Qual foi o último disco que você ouviu?

“O novo do Edi Rock, bom pa caralho, fui na galeria e comprei ”

Qual a música que você tem mais tocado?

“No momento é o remix que eu fiz pro Robert Delong – Global Concepts [DJ Marky’s F***in’Dance Mix]”

 

e a gente batendo papo via skype

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