desconciente

estou no presente

e ele não está.

o futuro.

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aqui não existe

aqui está vazio

de fim

 

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caminho

pra me afogar

e quando o vazio criar uma pressão pedindo para respirar

o ar que pede

o pulmão

faz voltar

com novo afã de ar

 

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Viramos galinhas

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Viramos galinhas.

Galinhas sentem empatia. Empatia é a capacidade psicológica para compreender o que outro sente, caso estivesse na mesma situação.

Galinhas sentem empatia.  galinhas seguem alheias umas as outras. se falta milho as galinhas se canibalizam.

Homens sentem empatia.  homens seguem fingindo que os outros não estão ali. não falta milho e as pessoas praticamente se canibalizam.

Gente não importa, por isso a gente não se importa.

 

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Galinha em inglês é sinônimo de covarde. deixamos de ser homens viramos galinhas covardes.

Pessoas mortas na esquina na chacina na beira da praiahomens ao mar ,  pontapéso chumbinho.

Em sete bilhões, um só diz respeito a quem o perdeu.
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   (Santi Palacios/AP)

O oceano que separa a guerra do sonho é feito da mesma água do rio que separa a parte pobre da parte rica da cidade.

Poderia ser você, poderia ser um dos seus. impedidos de ir a praia porque cor é indicativo de potencial violência. fugindo da fome e da miséria.

é tudo a mesma coisa. é tudo gente. e gente importa.

 

 

 

Livro: O Buda no Sotão

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O Buda no Sotão“, de Julie Otsuka, conta a história das mulheres japonesas que imigram para os Estados Unidos na primeira metade do século XX. Narrado pela voz de todas as viajantes e de cada uma delas, a transição constante entre universal e singular cria um bordado de medos, desejos e curiosidades familiares até a quem não atravessou o Pacífico para conhecer um marido e começar uma vida e uma família.

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O livro poderia ser dividido em duas partes, uma primeira focada na chegada e adaptação das personagens e a segunda na mudança que a guerra provoca em suas vidas. Elas contam sobre os campos de concentração para japoneses nos Estados Unidos durante a 2a Guerra Mundial. Em 1942, o presidente Franklin D. Roosevelt autorizou a remoção dos nipônicos e seus descentedentes para locais fora da costa. Como os norte-americanos não são lá muito bons em lidar com seus erros, a história é pouco divulgada e foi um dos motores para a escritora fazer o livro, como ela conta nessa entrevista.

Livro para se ler a qualquer momento, “O Buda no Sotão” já foi traduzido em mais de quinze idiomas e ganhou, em 2012 ano de sua publicação, o prêmio PEN/Faulkner

Logo mais: Black Alien

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“o nome Gustavo Ribeiro, a descrição do elemento…..”  Zerovinteum é música de quando Black Alien fazia parte da banda Planet Hemp. Em 2004 lançou “Babylon by Gus – o ano do macaco“, seu primeiro disco solo, e mostrou o que era um dos melhores letristas do país, um pé em Chico e outro em Sabotage.

O disco entrou pro pódio do rap. criou expectativa pelo que viria a seguir. “Quem que caguetou?“, produzida por Tejo Damasceno, estourou na Europa e EUA. o público continua na espera pelo segundo disco. histórias de que ele estava numa bad por causa do vício pipocam. corta os dreads. o disco não sai. seu parceiro, Speedfreak, morre violentamente. crowdfunding pra produzir o segundo disco. lança uma e outra música. volta trabalhar com Alexandre Basa, produtor do primeiro disco, para o segundo volume do seu diário babilônico. Lança a faixa Terra.

A montanha russa da sua trajetória alterna qualidade artística e dependência química, como ele conta na série “No princípio era o verbo”.

 

Limpo, Black Alien se apresenta hoje em São Paulo, no Audio Club, com participação de B.Negão, Jorge du Peixe e Rael.  Essa semana, enquanto se preparava para o show, gentilmente falou comigo por telefone:

1. Como você situa esse show na sua trajetória?
“Eu toquei numa banda com grande público, as vezes dez, as vezes cem mil pessoas na plateia. Como artista solo é um momento novo não só pela quantidade de público (a casa permite até três mil pessoas), a partir do momento que comecei a cuidar da minha saúde, minha carreira está se ajustando junto. Eu tô trocando de pele, vendo o mundo por outra ótica.”

2. Por que fez a série? Pra que se expor dessa maneira?
“Eu senti necessidade de explicar, dar uma satisfação do porque da demora do disco.O publico cobrando de maneira direta, às vezes grosseira nas redes sociais, gente perguntando “cadê a merda do disco?”.
Luciana Rabassallo propôs a reportagem quando falei com ela dessa resposta que precisava dar. A demora (no segundo disco) está diretamente ligada a outra necessidade, a de recuperar a saúde, tive de parar e me recuperar para fazer o disco.
A minha dependência química já era publica, então falar sobre ela abertamente é parte do processo de superação. Sou um artista, posso atingir o público de uma maneira positiva, dar o exemplo. No video falei o que está acontecendo comigo.”

3. Como esse processo afeta sua maneira de compor ?
“Continuo me reconhecendo nas letras, o que mudou foi o processo. Antes eu escrevia uma letra em uma hora, hoje o processo é mais lento, faço um verso em um dia, outro no dia seguinte.
As metáforas também estão mais dúbias, a mesma frase tem diversas interpretações. Quando eu canto “olhar para você me faz crescer” pode ser uma ereção ou um estado de espírito.
Estou cantando meu momento, mais sensível, enxergando as coisas como elas são. Tá mais fácil fazer letra de amor que falar de política. É difícil ver o momento atual e não ficar tenso, puto, querer tomar remédio, ter que fazer respiração pra acalmar. Não to escrevendo sobre esse assunto por isso.

4. Como foi a escolha dos convidados para o show?
“Convidei os três porque admiro eles como pessoas e como artistaa. Tenho boas histórias com os três. O Rael não é da minha geração, Bernardo e Jorge são pessoas que já conheço há duas décadas.
É tranquilo decidir o repertório, deixo o convidado escolher o que quer cantar. Com o Bernardo vamos fazer uma dele e duas do Planet, com Jorge vamos fazer duas de Chico Science e Nação Zumbi, uma da Nação pós Chico e “U-Informe”. Rael escolheu “Na noite se resolve” e vamos fazer uma dele. E todo mundo volta no bis.”

Pergunto do set list do show, ele diz que não estava fechado e que “Terra”, a última faixa lançada, vai ser tocada com certeza. Não garante o que mais pode entrar.

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MiniFlashback: o ano era 1998, Bahia, um ano em que o planet se apresentou algumas vezes em Arraial d’Ajuda. Black Alien descia a ladeira versando sem parar, sem respirar. A velocidade de associação nas palavras impressiona, assim como a doideira.

Durante muito tempo Gustavo foi o desperdício de um talento único por conta de sua condição de saúde. Hoje, pra mim, é noite para recuperar esse grande artista.

três falas e um .gif: Birdman

vencedor do Oscar de melhor filme e melhor diretor, Birdman tem momentos ótimos, referências a mitologia do cavaleiro das trevas e seu ator principal (Michael Keaton) e incríveis planos contínuos.

alguns acham ‘pretensioso’ . Isso não tira o brilho do filme que vale também por diálogos como esses:

Rigman: o que eu posso dizer, minha saúde durou mais que meu dinheiro”

Mike Shiner: Popularity is the slutty little cousin of prestige.” (em tradução livre: popularidade é a prima vagabunda do prestígio)

“Sam Thomson: … You are doing this because you want to feel relevant again. Well guess what? There is an entire world out there where people fight to be relevant every single day and you act like it doesn’t exist. This are happening in a place that you ignore, a place that, by the way, has already forgotten about you. I mean, who the f*** are you? You hate bloggers. You mock Twitter. You don’t even have a Facebook page. You’re the one who doesn’t exist. You’re doing this because you’re scared to death, like the rest of us, that you don’t matter and, you know what, you’re right. You don’t! It’s not important, okay? You’re not important! Get used to it.”

giphy

não encontrei a minha favorita, um diálogo entre Sam e Mike no telhado. Ele diz que se pudesse arrancaria os olhos dela e os colocaria em suas órbitas oculares, apenas para ver o mundo com olhos de quem tem vinte anos.

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