Cine Drive In: Coração Satânico.

“Domingo vou ao Drive-in, assistir Coração Satânico.”
“Mas você não tinha vendido o carro?”

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Coração Satânico, filme de 1987 dirigido por Alan Parker, era desejo antigo, do tipo preciso-ver-antes-de-morrer. A oportunidade da tela grande era preciosa, e assistir durante o dia parecia o mais sábio a fazer, já que o filme promete medo e susto, e sair andando pela cidade à noite depois de um filme desses, nem à pau.

A sala recém inaugurada, fruto da parceria do Cine Belas Artes com o grupo Vegas, oferece uma variedade de atrações: poltronas de carros antigos ocupando as primeiras fileiras, o bar-restaurante do Riviera com sanduíches, petiscos e drinks para serem consumidos durante o filme, e um cardápio de filmes interessante.

O charme de assistir um filme e namorar no carro mantém seu elan na sala de cinema: a maioria dos bancos de automóveis era ocupada por casais abraçados. Na hora de comprar o ingresso, se escolher a opção dos assentos antigos, garanta os dois lugares da poltrona para não ganhar a companhia de um estranho.

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A sala oferece cadeiras de cinema convencional e bancos altos dispostos no fundo, em um balcão. Comer é parte importante da programação, e o timing da  sessão leva em conta todo esse  “pedir, pegar, comer, limpar “.

São uns quarenta minutos até o filme começar, divididos entre desenhos e clipes e com promessa de que curtas, loucuras de internet e outras experiências audiovisuais devem ocupar esse espaço pré-filme futuramente, como indicou Facundo Guerra.

A ida ao cinema foi acompanhada da fome avassaladora: três da tarde e zero almoço. Ao fundo da sala, no lado oposto da tela, estava a iluminada janela seguindo o padrão norte-americano de lanchonete. Nesse dia deu pau no caixa e os atendentes tiraram pedido na mão. A falta de jeito para organizar a fila parecia fruto do primeiro fim de semana de funcionamento.

Pedido feito, foi entregue um disco que avisa quando tudo está pronto. Antes da Sade entoar “Smooth Operator”, segunda atração pré-filme,  hot dog, sanduíche vegetariano, polenta com alecrim e batata frita estavam disponíveis para consumo.

A bandeja é mais funda que o normal “para evitar que você se suje, caso algo caia”, esclarece Facundo “e os pratos são pensados para caber nelas perfeitamente”.

 

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Tudo equilibrado no colo, não seria ideal ter uma mesa? “Pensamos nisso. A mesa fixa impede o fluxo das pessoas entre as cadeiras – não dá para levantar e ir pegar mais um drink, ou ir ao banheiro e voltar sem um potencial alto de derrubar coisas e ter uma catástrofe.” explicou o dono do projeto.

Comer com a bandeja no colo é possível, mas desejei um carrinho bandeja ou uma mesa acoplada na poltrona da frente para facilitar a vida.

A poltrona funciona bem, o corpo se esparrama por causa da inclinação e espaço das poltronas. A tela é mais alta que a convencional para compensar a ausência de degraus da sala. O banco em frente parecia mais alto que os demais. Seria um problema do Dodge ter o banco alto? Por que ele estava no meio da sala então? Por que a cabeça do serumano em frente tapava mais que a legenda?

Debatendo com Facundo ao telefone, ele pergunta “Você ficou no banco vermelho e branco?” ”Esse era o banco que estava a minha frente.” Ele explica que todos os bancos tem uma inclinação de seis graus e que o ~maldito ~ banco vermelho não tinha sido angulado , que isso ia acontecer naquela segunda feira.

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Um beco de nova York, um gato, um cachorro, um corpo. Assim começa ” Angel’s Heart”, trocadilho com o nome do protagonista Harry Angel e a palavra anjo. No Brasil foi batizado Coração Satânico. O filme é estrelado por Mickey Rourke, na época embalado pelo sucesso de “9 1/2 semanas de amor” e “O selvagem da motocicleta”. Ele é o detetive particular que recebe a missão de encontrar um cantor desaparecido e que se vê envolvido em mortes estranhas. A trilha que o leva ao interior dos Estados Unidos vai sendo pontuada por algo sobrenatural. E seu cliente é interpretado por Robert De Niro.

Se você não assistiu ao filme, recomendo. As cores, os detalhes e enquadramentos que revelam segredos da história sem que quem assista perceba. E a tensão permanece, e você quer saber se o que desconfia procede.

Os anos 50 vistos através dos anos 80, os efeitos especiais que hoje parecem engraçados, tudo explicita a ingenuidade do mundo pré-globalizado.

Com uma programação repleta de filmes cult, o Drive-in resgata o naif perdido pelo ultraconectado mundo contemporâneo. A sala deve abrir espaço para filmes novos que façam parte de sagas cult, o foco se mantém naquelas películas que esquentam as memórias e o coração.

 

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Viramos galinhas

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Viramos galinhas.

Galinhas sentem empatia. Empatia é a capacidade psicológica para compreender o que outro sente, caso estivesse na mesma situação.

Galinhas sentem empatia.  galinhas seguem alheias umas as outras. se falta milho as galinhas se canibalizam.

Homens sentem empatia.  homens seguem fingindo que os outros não estão ali. não falta milho e as pessoas praticamente se canibalizam.

Gente não importa, por isso a gente não se importa.

 

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Galinha em inglês é sinônimo de covarde. deixamos de ser homens viramos galinhas covardes.

Pessoas mortas na esquina na chacina na beira da praiahomens ao mar ,  pontapéso chumbinho.

Em sete bilhões, um só diz respeito a quem o perdeu.
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   (Santi Palacios/AP)

O oceano que separa a guerra do sonho é feito da mesma água do rio que separa a parte pobre da parte rica da cidade.

Poderia ser você, poderia ser um dos seus. impedidos de ir a praia porque cor é indicativo de potencial violência. fugindo da fome e da miséria.

é tudo a mesma coisa. é tudo gente. e gente importa.

 

 

 

três falas e um .gif: Birdman

vencedor do Oscar de melhor filme e melhor diretor, Birdman tem momentos ótimos, referências a mitologia do cavaleiro das trevas e seu ator principal (Michael Keaton) e incríveis planos contínuos.

alguns acham ‘pretensioso’ . Isso não tira o brilho do filme que vale também por diálogos como esses:

Rigman: o que eu posso dizer, minha saúde durou mais que meu dinheiro”

Mike Shiner: Popularity is the slutty little cousin of prestige.” (em tradução livre: popularidade é a prima vagabunda do prestígio)

“Sam Thomson: … You are doing this because you want to feel relevant again. Well guess what? There is an entire world out there where people fight to be relevant every single day and you act like it doesn’t exist. This are happening in a place that you ignore, a place that, by the way, has already forgotten about you. I mean, who the f*** are you? You hate bloggers. You mock Twitter. You don’t even have a Facebook page. You’re the one who doesn’t exist. You’re doing this because you’re scared to death, like the rest of us, that you don’t matter and, you know what, you’re right. You don’t! It’s not important, okay? You’re not important! Get used to it.”

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não encontrei a minha favorita, um diálogo entre Sam e Mike no telhado. Ele diz que se pudesse arrancaria os olhos dela e os colocaria em suas órbitas oculares, apenas para ver o mundo com olhos de quem tem vinte anos.

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Janelas para mundos: instagram em janeiro

Ao acompanhar pedaços de pessoas e mundos, pensei nessa compilação de imagens, endereços, frases. Achados de outros que agora são meus.

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a loja de Dim Sum fotografada por [Caroline de Maigret] me deixou faminta. Caroline é
modelo desde 94, foi eleita embaixadora
Chanel com mais de 30 anos. Também é dona
de selo musical e uma das autoras do livro
“Como ser uma parisiense em qualquer lugar
do mundo”
.

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A frase encontrada num muro de Pinheiros (bairro de SP) por [Mirian Navarro] junto com a legenda precisa, ganhou meu coração. Não conheço Mirian nem consegui descobrir o que ela faz. Garota esperta.

 

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[ Everyday Iran] projeto de fotos cotidianas do
Irã, com similares na Africa, Oriente Médio.

Cenas como essa da mulher na loja de tecidos, do
Irã urbano, e também do Irã rural.

 

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[Juliette Lewis]

When people ask you who done this, you tell ’em Mickey and Mallory Knox did it.

atriz e cantora e divertida. 


 

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[Everyday Asia]

da mesma turma indicada lá em cima do Irã.

Entre outras curiosidades, mulheres fazendo massagem em fila no Vietnam.


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[Otavio Sousa]

Fotógrafo profissional, no instagram Tavinho coloca apenas fotos feitas com o telefone.
Ensinando o filho a ouvir Ramones…

 

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[Desculpe a Poeira]
pilhas de livros, capas e trechos selecionados
por Ricardo Lombardi, dono do sebo de onde
saem as imagens.

Aqui Millôr, transformador de estado de espírito.