Parque no Subsolo

Imagine transformar um terminal abandonado, que funcionava como garagem de trens elétricos, em parque?

O projeto Delancey Underground pretende criar um parque subterrâneo, convertendo área abandonada em espaço público. O parque já tem até apelido, “LowLine”, em referência ao High Line , outra iniciativa bem sucedida na mesma cidade, NY.

Além de reocupar e transformar um espaço degradado, o projeto desenvolve  um parque embaixo da terra iluminado pela luz do Sol. Um sistema de cabos de fibra ótica utiliza energia solar para iluminar a área.

O Delancey Underground tem página no Kickstarting, ferramenta para angariar dinheiro no sistema de financiamento público. Segundo os idealizadores essa é uma boa maneira de pressionar e mostrar às autoridades o quanto as pessoas acreditam na idéia e querem aquele espaço.

Em uma semana levantaram 60% do dinheiro pedido para o projeto.

o Delancey faz parte de uma discussão atual sobre ” o potencial de infraestruturas urbanas remanescentes e da necessidade das cidades de reinventarem seu espaço… O “LowLine”  é essencialmente uma parte da próxima fase do design urbano, onde a escala humana e a escassez de recursos nos força a pensar em maneiras mais criativas do uso de espaços públicos

Impossível não comparar a maneira como “eles” estão pensando as cidades ao incêndio e demolição do esqueleto das industrias matarazzo dentro da favela do moinho.
E tem quem dispute o apoio desse prefeito e de seu partido.
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A vida é um moinho e a favela foi pulverizada

na Wikipedia “… moinho é uma instalação destinada à fragmentação ou pulverização de materiais em bruto especificadamente grãos de trigo ou de outros cereais, por meio de mós é cada uma do par de pedras duras, redondas e planas, com as quais, nos moinhos, se trituram grãos de trigocevadacenteio e outros, até se reduzirem a farinha…”

….”fragmentação ou pulverização ” … será que esse é o destino da população que vivia na favela do Moinho, a última na região central da cidade?

A foto que abre esse post foi tirada durante o primeiro “A Vida é um Moinho”, que aconteceu em agosto de 2010. Shows e atividades organizadas por amigos da favela buscavam ajuda para os moradores, e também chamar a atenção quanto aos recorrentes problemas de “corte de água” que aconteciam como maneira de pressionar quem vivia ali a sair do local.

No final de 2011 um incêndio  consumiu todos os barracos deixando mais de mil pessoas desabrigadas e matando duas outras. A prefeitura obteve liminar para demolir o prédio que existe no terreno por “risco de desabamento”. O prédio não pôde ser implodido antes porque o terreno pertence à União e a prefeitura teve que aguardar a autorização judicial para o trabalho.

A vista do alto do prédio, um esqueleto que sobrou das industrias Matarazzo, era bonita e triste como o centro da cidade. Quando estive no local, pensei se aquilo não podia ser aproveitado para criação de  um centro cultural e um prédio de apartamentos populares para abrigar quem morava ali. Há um belo silo remanescente no terreno e que agora sabe-se lá para onde vai. Assim como as pessoas que lá moravam.

O pitoresco dessa história é que a demolição foi marcada para esse domingo, primeiro de janeiro. E não funcionou. O prefeito de SP comemorou a implosão de um prédio que dizia-se estar condenado mas que cinco dos seus seis andares continuaram de pé diante de 800kg de explosivos.

Uma série de vídeos com diferentes ângulos da explosão estão disponíveis no YouTube. Todos tirando sarro da falha. E Kassab, o prefeito que cuida e ama a cidade de uma forma tão particular, é o único que comemora.

 

A revista Rolling Stone publicou uma matéria em maio do ano passado sobre “Intimidações armadas, desapropriações truculentas e incêndios suspeitos se tornam as ferramentas da desenfreada especulação imobiliária para banir as favelas de São Paulo