Deixa encostar

Quando perceber a solidão infinita que é existir

vire o universo de ponta cabeça

deixe a solidão encostar.

Você não está mais sozinho,

está com ela a te fazer companhia.

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III: Morcegóvia, senti sua falta

Dancing on the Beach (3)

Cada dia te gosto mais, Camile Yarbrough

                                           Ruína, Manoel de Barros

Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer uma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem embaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: Digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo.” E o monge se calou descabelado.