Para ver em tela cheia: Dark Days

 

Dark Days é obra do britânico Marc Singer, lançada em 2000, e segue um grupo de moradores que vive numa área abandonada do metrô de Nova York.

Quando mudou-se para Manhattan, Singer descobriu, além de um grande número de moradores sem teto, uma “comunidade” que vivia perto da Penn Station, Harlem, num espaço chamado Freedom Tunnel. O filme foi sua maneira de ajudar as pessoas a receber atenção da prefeitura. A equipe morou durante meses no túnel e o processo de pós produção demorou alguns anos, tanto pelas dificuldades financeiras, quanto pela insistência de Singer em proteger os moradores (mais detalhes na wiki)

Morria de curiosidade não só por ter ouvido muito falar da história, mas também por causa da trilha, elaborada por DJ Shadow. São trechos do clássico Endtroducing , de algumas produções do U.N.K.L.E, além da música-tema composta especialmente para o filme.

A seqüência, logo após a abertura, de um dos personagens nu usando um barbeador elétrico e um pedaço de espelho no meio dos túneis (disponível no trecho do Youtube acima) traduz a capacidade de adaptação do ser humano a qualquer situação. O filme mostra como a vida à margem da sociedade e da cidade influencia a cabeça e a vida dessas pessoas. A cena de dois deles, doidões, contando estórias de uma vida imaginária com as fotos encontradas no local dá um choque nas sinapses de qualquer um. Durante as filmagens a companhia de transporte anunciou que iria voltar a utilizar a área. Acompanhamos também a luta do diretor e da equipe junto a “coalisão pelos moradores de rua” para tentar resolver a situação daquelas pessoas.

Parte do impacto que o filme teve nas audiências européia e norte-americana se perde ao cruzar a parte debaixo do Equador, onde miséria e abandono são situações corriqueiras. Para nós, acostumados a água esguichada pelo poder público em cima desse tipo de gente, soa um pouco naif, um pouco clichê. Em algum momento fiquei em dúvida se era um documentário ou ficção, mas até onde pesquisei, tudo aquilo aconteceu mesmo. Isso não diminui a força ou a beleza estética do filme, que é daqueles que vale a pena assistir.

Eles estão entre nós

Andando de fone de ouvido pela cidade percebo olhares de estranhamento quando não resisto ao que está tocando e solto “aquele passinho de dança” na calçada.  Acontece. Música faz até as pessoas dançarem na rua e um fotógrafo americano também:

Jordan Matter criou o projeto “Dancers Among Us” colocando na rua bailarinos para dançar pela cidade : ” Dançarinos são contadores de histórias (…) eles nos oferecem um olhar profundo sobre arranjos familiares, trazendo a vida o que sentimos mas que somos incapazes de expressar fisicamente.”, diz ele em seu site sobre o fundamento do projeto ” os dançarinos ficaram ansiosos quando ouviram a idéia e criamos juntos as fotos, com o objetivo de mostrar Manhattan e suas paisagens icônicas. Eles energizaram as situações cotidianas, dançando no meio das pessoas e rejeitando a imagem de uma cidade fria e impessoal (…) eles celebraram o que as pessoas parece ignorar, a luz e a vida dos momentos comuns.”

As imagens são deliciosas:

e nenhum dos dançarinos usou qualquer tipo de trampolim para as fotos.