Vincent: Tim Burton circa 1982

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Rolezinho Reloaded

Sempre me encantaram os Gonzagas, o inha e o ão, “minha vida é andar por esse país”.

Esse país, esses países, descobrir o globo grande e pequeno que pode ser o mundo. Redondo. Andar por aí, câmera na mão observando pessoas, lugares, histórias.

De rolê.

Rolezinho foi uma coluna de curta vida no portal Vírgula. Foram passeios incríveis: o pianista Vítor Araújo tocando no alto do Edifício Martinelli (SP), o fotografo Felipe Morozini contando da sua relação com o Parque Minhocão (SP) , o ator Paulo Vilhena acompanhando o Greenpeace no Senado Federal (Brasília, e o prédio com peso de podre no ar).

Se a coluna parou, os rolês não pararam. Eu não paro, insisto. Gravo, passeio, converso, edito. Lugares, livros, pessoas, histórias. Ai resolvi voltar, rolezinho reloaded.

os dois primeiros que publico hoje são curtos.

O primeiro é um experimento, procurava uma vinheta, usei um caminhar de sapatos lindos do Studio Dani Cury. Sapatos para te levar a qualquer lugar hora momento, de salto de sola de borracha de couro, feito`a mão.  Pra caminhar é necessário sapatos confortáveis. Ou grossas solas nos pés

 

Era domingo dia das mães. Tem quem ame a data, quem odeie, quem deixe passar.

Para quem, como eu, já não tem mãe viva em terra, parece um dia meio sem sentido, fora do tempo. Fui passear.

Queria conhecer o Disjuntor, na Mooca (SP) , havia tempo. Reduto de resistência artística, política, de bons pensamentos. Mistura de galeria, bar e restaurante, pista e espaço de convivência. Criado pela dupla Mozart Fernandes e Monica Rodrigues, da Vértices Cenografia,  em parceiria com Tatá Crippa, que é O cara do lowrider e morador do bairro.

O Disjuntor integra o Distrito Mooca. Galpões e fábricas antigos, lindos e vazios que estão sendo transformados em locais de lazer e gastronomia, em busca de revitalizar e trazer mais gente `a área.

O dia de rolezinho Disjuntor teve Flash Tattoo;  Mauro Farina, da Freebeats, tocando delícias, entre elas o Rework em cima do Afro-Sambas que é a trilha do vídeo;  comes e bebes com Checho Gonzales e Sommelier Itinerante; e muita conversa com Monica, de quem brilham os olhos quando fala do Disjuntor, suas ideias, suas oficinas.

Fica ligado no calendário e aproveita para conhecer.

Para onde foram as andorinhas?

Para quem mede o tempo de uma outra maneira, descrever a mudança do clima baseia-se em pássaros, insetos, em como crescem as frutas. Os índios do Parque Xingu que sentiam-se ameaçados pelo desmatamento na cabeceira do rio, tem no fogo uma nova ameaça.

“Para Onde Foram as Andorinhas?” é dirigido por Mari Corrêa, produzido pelo Instituto Catitu em parceria com o ISA. Exibido na COP 21, o curta é um material delicado e  importante de assistir.

Conheci recentemente quando trabalhei no lançamento aqui em SP. Para saber mais do ISA, respeitada organização de antropólogos que atua junto aos povos indígenas, as causas ambientais e a comunidades tradicionais do Brasil, pra saber mais  www.socioambiental.org.

 

Cine Drive In: Coração Satânico.

“Domingo vou ao Drive-in, assistir Coração Satânico.”
“Mas você não tinha vendido o carro?”

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Coração Satânico, filme de 1987 dirigido por Alan Parker, era desejo antigo, do tipo preciso-ver-antes-de-morrer. A oportunidade da tela grande era preciosa, e assistir durante o dia parecia o mais sábio a fazer, já que o filme promete medo e susto, e sair andando pela cidade à noite depois de um filme desses, nem à pau.

A sala recém inaugurada, fruto da parceria do Cine Belas Artes com o grupo Vegas, oferece uma variedade de atrações: poltronas de carros antigos ocupando as primeiras fileiras, o bar-restaurante do Riviera com sanduíches, petiscos e drinks para serem consumidos durante o filme, e um cardápio de filmes interessante.

O charme de assistir um filme e namorar no carro mantém seu elan na sala de cinema: a maioria dos bancos de automóveis era ocupada por casais abraçados. Na hora de comprar o ingresso, se escolher a opção dos assentos antigos, garanta os dois lugares da poltrona para não ganhar a companhia de um estranho.

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A sala oferece cadeiras de cinema convencional e bancos altos dispostos no fundo, em um balcão. Comer é parte importante da programação, e o timing da  sessão leva em conta todo esse  “pedir, pegar, comer, limpar “.

São uns quarenta minutos até o filme começar, divididos entre desenhos e clipes e com promessa de que curtas, loucuras de internet e outras experiências audiovisuais devem ocupar esse espaço pré-filme futuramente, como indicou Facundo Guerra.

A ida ao cinema foi acompanhada da fome avassaladora: três da tarde e zero almoço. Ao fundo da sala, no lado oposto da tela, estava a iluminada janela seguindo o padrão norte-americano de lanchonete. Nesse dia deu pau no caixa e os atendentes tiraram pedido na mão. A falta de jeito para organizar a fila parecia fruto do primeiro fim de semana de funcionamento.

Pedido feito, foi entregue um disco que avisa quando tudo está pronto. Antes da Sade entoar “Smooth Operator”, segunda atração pré-filme,  hot dog, sanduíche vegetariano, polenta com alecrim e batata frita estavam disponíveis para consumo.

A bandeja é mais funda que o normal “para evitar que você se suje, caso algo caia”, esclarece Facundo “e os pratos são pensados para caber nelas perfeitamente”.

 

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Tudo equilibrado no colo, não seria ideal ter uma mesa? “Pensamos nisso. A mesa fixa impede o fluxo das pessoas entre as cadeiras – não dá para levantar e ir pegar mais um drink, ou ir ao banheiro e voltar sem um potencial alto de derrubar coisas e ter uma catástrofe.” explicou o dono do projeto.

Comer com a bandeja no colo é possível, mas desejei um carrinho bandeja ou uma mesa acoplada na poltrona da frente para facilitar a vida.

A poltrona funciona bem, o corpo se esparrama por causa da inclinação e espaço das poltronas. A tela é mais alta que a convencional para compensar a ausência de degraus da sala. O banco em frente parecia mais alto que os demais. Seria um problema do Dodge ter o banco alto? Por que ele estava no meio da sala então? Por que a cabeça do serumano em frente tapava mais que a legenda?

Debatendo com Facundo ao telefone, ele pergunta “Você ficou no banco vermelho e branco?” ”Esse era o banco que estava a minha frente.” Ele explica que todos os bancos tem uma inclinação de seis graus e que o ~maldito ~ banco vermelho não tinha sido angulado , que isso ia acontecer naquela segunda feira.

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Um beco de nova York, um gato, um cachorro, um corpo. Assim começa ” Angel’s Heart”, trocadilho com o nome do protagonista Harry Angel e a palavra anjo. No Brasil foi batizado Coração Satânico. O filme é estrelado por Mickey Rourke, na época embalado pelo sucesso de “9 1/2 semanas de amor” e “O selvagem da motocicleta”. Ele é o detetive particular que recebe a missão de encontrar um cantor desaparecido e que se vê envolvido em mortes estranhas. A trilha que o leva ao interior dos Estados Unidos vai sendo pontuada por algo sobrenatural. E seu cliente é interpretado por Robert De Niro.

Se você não assistiu ao filme, recomendo. As cores, os detalhes e enquadramentos que revelam segredos da história sem que quem assista perceba. E a tensão permanece, e você quer saber se o que desconfia procede.

Os anos 50 vistos através dos anos 80, os efeitos especiais que hoje parecem engraçados, tudo explicita a ingenuidade do mundo pré-globalizado.

Com uma programação repleta de filmes cult, o Drive-in resgata o naif perdido pelo ultraconectado mundo contemporâneo. A sala deve abrir espaço para filmes novos que façam parte de sagas cult, o foco se mantém naquelas películas que esquentam as memórias e o coração.